Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro...
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro...
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia,
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade - e dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
E de ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minhas tristezas te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos, - bem poucos! e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
sábado, 13 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
A DOR QUE DÓI MAIS (Martha Medeiros)
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua surfando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O Menino do Pijama Listrado
Ontem assisti esse filme que me emocionou muito e então resolvi postar alguma coisa sobre ele. Quando estava procurando pela sinopse, encontrei um comentário que além de traduzir plenamente meus sentimentos e pensamentos sobre o filme, trazia em si a sinopse muito bem feita. Segue abaixo o comentário.
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O que é o horror da guerra aos olhos de uma criança? O cenário nazista e o massacre dos judeus já foi muito utilizado nas telas dos cinemas, contudo, a diferença deste filme é que não vemos a guerra através do bravo soldado que dispara dúzias de tiros, nem dos generais e comandantes ditando suas ordens, mas aos olhos de uma criança. Apesar de todos tentarem lhe explicar o motivo do “ódio ao judeu”, ela não consegue realmente compreender.
Esta criança é o jovem garoto de oito anos chamado Bruno (Asa Butterfield – novato no cinema, mas sua atuação é comovente e impressionante) que precisa deixar seus amigos da cidade e acompanhar o pai, soldado e seu maior orgulho, que fora promovido e precisa ir morar numa área desolada, por assumir um cargo num campo de concentração. Lá, sozinho e entediado, Bruno descobre que mora ao lado de uma “fazenda” que tem “moradores” estranhos, e vivem vestidos com “pijamas”, e pela sua inocência se pergunta por que ainda estão de pijamas no meio do dia. A partir da curiosidade ele conhece Shmuel (Jack Scanlon), e nasce uma amizade.
Entre os furtos de comida para o novo amigo e suas conversas, Bruno começa a tentar entender os acontecimentos ao redor dele. Apesar de se esforçar, não compreende o motivo das grades, dos pijamas e do ódio. Porém como em toda criança, a fé e a inocência que tem mantém pura a sua visão dos acontecimentos. Tal fé é confirmada na sua frase: “Não se preocupe Shmuel, logo os dois lados vão se entender e vamos poder brincar sem grades!”
Um filme emocionante, que faz refletir mais uma vez sobre o que pode gerar a insensatez das ações de um regime, não só no país, mas na célula fundamental que é a família. Também é importante lembrar que este filme é baseado no livro “O Menino do Pijama Listrado”, do autor John Boyne, cuja leitura é também recomendada.
Esta criança é o jovem garoto de oito anos chamado Bruno (Asa Butterfield – novato no cinema, mas sua atuação é comovente e impressionante) que precisa deixar seus amigos da cidade e acompanhar o pai, soldado e seu maior orgulho, que fora promovido e precisa ir morar numa área desolada, por assumir um cargo num campo de concentração. Lá, sozinho e entediado, Bruno descobre que mora ao lado de uma “fazenda” que tem “moradores” estranhos, e vivem vestidos com “pijamas”, e pela sua inocência se pergunta por que ainda estão de pijamas no meio do dia. A partir da curiosidade ele conhece Shmuel (Jack Scanlon), e nasce uma amizade.
Entre os furtos de comida para o novo amigo e suas conversas, Bruno começa a tentar entender os acontecimentos ao redor dele. Apesar de se esforçar, não compreende o motivo das grades, dos pijamas e do ódio. Porém como em toda criança, a fé e a inocência que tem mantém pura a sua visão dos acontecimentos. Tal fé é confirmada na sua frase: “Não se preocupe Shmuel, logo os dois lados vão se entender e vamos poder brincar sem grades!”
Um filme emocionante, que faz refletir mais uma vez sobre o que pode gerar a insensatez das ações de um regime, não só no país, mas na célula fundamental que é a família. Também é importante lembrar que este filme é baseado no livro “O Menino do Pijama Listrado”, do autor John Boyne, cuja leitura é também recomendada.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Uma opinião válida
“Na verdade eu nem sei o que quer dizer pesado, assim, da maneira que o pessoal fala.
Às vezes tem canções a violão e voz que são super dramáticas. Isso eu acho mais pesado. Eu estou mais interessado na dinâmica da canção, do que se ela é pesada ou leve.”
Humberto Gessinger
Às vezes tem canções a violão e voz que são super dramáticas. Isso eu acho mais pesado. Eu estou mais interessado na dinâmica da canção, do que se ela é pesada ou leve.”
Humberto Gessinger
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